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quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Renato caiu no poço

Essa é a história do Renato que caiu no poço!!

Certa vez, Renato estava na casa da tia em Saquarema, foi para Cabo Frio num show do Skank, e claro, "tomou todas". Chegou em casa com o dia já claro, o portão estava trancado, resolveu então pular o muro.

Subiu no muro e viu a tampa do poço e escolheu pular encima dela, pois “era mais seguro”, quando ele pulou a tampa quebrou e ele ficou literalmente sem chão, e foi parar no fundo do poço, com 45 cm de diâmetro entre 10 a 15m de profundidade.

Foi caindo e se ralando todo. Foi até o fundo e conseguiu subir até o nível da água. Tirou a roupa para diminuir o peso e não afundar, ficava se segurando nas paredes cheias de lodo, que escorregavam muito, tentou inutilmente se segurar numa mangueira que arrebentou e depois no cabo da bomba, mas não conseguiu, só conseguia ver uma bolinha lááá em cima (igual ao filme O chamado, rs). Gritava por socorro, mas nada acontecia, já estava perdendo as forças.

Começou a conversar com Deus, dizendo que tinha um filho pra criar, que esteve em várias situações para morrer, mas que morrer daquela maneira, no fundo do poço, ele não merecia...

Continuou pedindo socorro, até que ouviu o Nick latindo, Ele desesperado gritava: - LATE NICK, LATE NICK.

Foi aí que suas preces começaram a ser atendidas, o Nick ia até o poço latia e depois ia dentro da casa e latia para a única prima que não tinha ido à praia, fez isso várias vezes até que a prima achou estranho, achou que tinha um ladrão no poço.

Pronto, chamou a polícia, bombeiros, tudo para pegar o “ladrão” que estava no poço.

Essa agonia durou mais ou menos uns 45 min, até que o socorro chegasse, os bombeiros tiraram Renato do poço e a policia já veio para prendê-lo, achando que era um ladrão, então ele disse: - me solta quero entrar e dormir, foi quando a prima viu que era ele e desfez a confusão.

Levaram-no para o hospital, para fazer uma lavagem estomacal, pois havia bebido muita água. A enfermeira entrou em pânico quando começou a sair um líquido amarelo, chamou o médico e mostrou, o médico perguntou para ele o que ele tinha bebido, ele disse que bebeu cerveja a noite inteira, o médico disse: - fica tranqüila é cerveja.

Bom, Renato saiu literalmente do fundo do poço para uma nova vida.

Ele ganhou uma outra chance, pois todos nós merecemos.

Agora Renato, se cuida, pois você não é gato, não tem sete vidas.

Espero que esta experiência tenha feito algo de bom por você.


Minha experiência vivida no Antigo Mosteiro de Serra Clara


No dia 06 de Novembro de 2006, saí de casa(RJ) por volta das 14:30h, no meu carro,

sozinha, em direção ao Antigo Mosteiro de Serra Clara, em Delfim Moreira, Minas Gerais, para começar o projeto de reforma.

Segui viajem tranqüila pela Dutra. Cheguei na porta do mosteiro por volta das 17:30. O portão estava trancado com cadeado e NINGUÉM lá dentro, então esperei, esperei, esperei e resolvi dar umas voltas pela região, fui até a parte mais alta da estrada e fiquei um bom tempo fazendo reconhecimento do local, quando me dei conta já havia passado uma hora e meia, então voltei para o mosteiro, mas só que ainda não havia chegado ninguém, então fiquei esperando dentro do carro, ainda estava claro (horário de verão).

Os bancos traseiros estavam abaixados por causa da minha prancheta que levei, então tive a brilhante idéia de me deitar sobre ela. Então, entrei pelo porta-malas, encostei a porta, forrei a prancheta com meu edredom e deitei com meu travesseiro, ficou bem confortável realmente. Deixei uma brecha aberta de ambas as janelas e TRAVEI AS PORTAS (trava automática).

O tempo passou e ninguém chegou. Caiu à noite, estava muito escuro naquela noite. O mosteiro fica à 1.200 m de altitude, em estrada de barro, sem iluminação alguma. Eu só via as luzes dos vaga-lumes. Então comecei a me sentir receosa com o barulho da noite, foi aí então que resolvi ir até o bar da dona Áurea, porque lá iam passar com certeza, e lá tem luz, água,...

Então, abri a porta do porta-malas, calcei meus sapatos, SAÍ E BATI A PORTA DO PORTA MALAS, em frações de segundo, me dei conta que as PORTAS ESTAVAM TRAVADAS... Tentei abrir todas as portas, mas nada feito, todas trancadas. Fiquei sem chão, tudo meu estava dentro do carro, inclusive a chave, que estava na ignição. A escuridão estava muito forte, noite nublada. Então não pensei duas vezes, desci a pé pela estrada em direção do bar da dona Áurea. Desci 2 km na escuridão, numa estrada cheia de curvas, não enxergava absolutamente nada.

Neste momento muitas coisas se passaram em minha mente, ora pensamentos positivos, ora pensamentos de desespero, por "não chegar nunca" no bar da dona Áurea, não tinha nenhuma casa, nenhuma luzinha. Fui descendo na escuridão e minha principal preocupação era não torcer meu tornozelo, que já é torcido. A “luz” não chegava nunca, foram os 2 km mais longos de minha vida. Neste momento só pensava que precisava manter a calma, pois me desesperar só pioraria a minha situação.

Continuei minha descida, certa que acharia ajuda, na pior das hipóteses, pediria abrigo para dona Áurea.

Enfim, avistei um orelhão. OBA!! Pensei, mas ligar pra quem? Não sei o número de ninguém, só o do mosteiro, e lá não tem ninguém. Então, ouvi o orelhão tocar, um menino correu e atendeu, eu andei em direção do orelhão e ouvi o menino dizer:

- Espera aí SAMANTA, vou chamar minha mãe. Quando ouvi aquele nome, não acreditei, perguntei muito ansiosa: - é a SAMANTA do mosteiro? E o menino respondeu: - É!

Não acreditei, foi Deus quem mandou ela ligar naquele momento para me acalmar. Então falei com ela, ainda no calor da situação, e ela me acalmou dizendo que o Marcelo (marido dela) estaria chegando com um caminhão cheio de telhas, e que eu me acalmasse que o Marcelo abriria o carro pra mim. Ela conseguiu me acalmar um pouco, mas ainda estava muito preocupada.

O caminhão chegou (era enorme e estava cheio de telhas, detalhe, o caminhão ia entrar no mosteiro e meu carro estava na porta trancado com as chaves dentro). Neste momento começou a cair uma chuva fininha.

Depois de uns vinte minutos o Marcelo chegou de moto, subimos todos juntos, para a próxima missão, abrir o carro.

Chegamos lá, e todos tentaram abrir pela fresta que eu havia deixado aberta em ambas as janelas, sem sucesso, e a chuva estava apertando e o frio também (na hora que sai do carro, sai sem nenhum agasalho). Então o Marcelo entrou no mosteiro e trouxe o arpão e “pescou” a chave da ignição.

Dei um grito?: - OBRIGADA SENHOR!!!

Tudo resolvido, entrei com o carro e o caminhão também.

O que eu aprendi com esta situação?

É que na hora do desespero, é preciso manter a calma e pensar numa SOLUÇÃO!

Este momento de reflexão me fez perceber que posso muito mais que penso...

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Coisas que a vida ensina...




Coisas que a vida ensina... Crianças aprendem com aquilo que você faz, não com o que você diz. As pessoas que falam dos outros pra você, vão falar de você para os outros. Perdoar e esquecer nos torna mais jovens. Água é um santo remédio. Deus inventou o choro para o homem não explodir. Não existe comida ruim, existe comida mal temperada. A criatividade caminha junto com a falta de grana. Ser autêntico é a melhor e única forma de agradar. Amigos de verdade nunca te abandonam. O carinho é a melhor arma contra o ódio. As diferenças tornam a vida mais bonita e colorida. A música é a sobremesa da vida. Acreditar, não faz de ninguém um tolo. Tolo é quem mente. Filhos são presentes raros. De tudo, o que fica é o seu nome e as lembranças a cerca de suas ações. Obrigado, desculpa, por favor, são palavras mágicas, chaves que abrem portas para uma vida melhor E o amor: Amor não se implora, não se pede não se espera... Amor se vive ou não. Ciúmes é um sentimento inútil. Não torna ninguém fiel a você. O amor... Ah, o amor... O amor quebra barreiras, une facções, destrói preconceitos, cura doenças... Não há vida decente sem amor! E é certo, quem ama, é muito amado. E vive a vida mais alegremente... Artur da Távola

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

A gente se acostuma.


Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e não ver vista que não sejam as janelas ao redor. E porque não tem vista logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora, logo se acostuma e não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, se esquece do sol, se esquece do ar, esquece da amplidão.A gente se acostuma a acordar sobressaltado porque está na hora. A tomar café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder tempo. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E não aceitando as negociações de paz, aceitar ler todo dia de guerra, dos números, da longa duração.
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: “hoje não posso ir”. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisa tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que se deseja e necessita. E a lutar para ganhar com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.
A gente se acostuma a andar nas ruas e ver cartazes. A abrir as revistas e ler artigos. A ligar a televisão e assistir comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.
A gente se acostuma à poluição, às salas fechadas de ar condicionado e ao cheiro de cigarros. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam à luz natural. Às bactérias de água potável. À contaminação da água do mar. À morte lenta dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinhos, a não ter galo de madrugada, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta por perto.
A gente se acostuma a coisas demais para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta lá.Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente só molha os pés e sua o resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem muito sono atrasado.
A gente se acostuma a não falar na aspereza para preservar a pele. Se acostuma para evitar sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida.
Que aos poucos se gasta, e que, de tanto acostumar, se perde de si mesma.

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