BESAME MUCHO A peça retrata a amizade fraternal de dois rapazes por mais de três décadas. É escrita de trás para frente, iniciando por um final trágico, em 1982, e terminando pelo início, em um baile de formatura, em l962, numa cidade do interior, ou seja, a trama se desenvolve quando os anos dourados também são de chumbo, mas, mais do que isso, reflete, além da repressão da ditadura, as repressões sexuais devido aos ensinamentos religiosos. As cidades do interior eram filiais do Vaticano. A maioria dos colégios era de religiosos e tudo era pecado. Os amigos são Xico e Tuca, que namoram Olga e Dina. O próprio Mário Prata informa que se trata de uma história de amor entre quatro pessoas, sem as quatro paredes. O jogo é aberto. Assim, o palco é, muitas vezes, dividido em dois planos. Xico se torna escritor e casa com Olga, que é intelectual. Tuca permanece no interior e casa com Dina. O primeiro casal vive um drama de criatividade. Ele é o escritor, mas ela, socióloga, é quem escreve para ele. Dina, em virtude da repressão sexual exercida pelas freiras, revela-se fria, não consegue ter orgasmo, até que, fantasiando, se veste de Marilyn Monroe, quando explode de prazer e, daí para frente, o casal passa a fantasiar cada vez mais. Transformam-se em outras pessoas, como um mendigo, um chofer, etc., vestindo-se e falando como estes. Uma curiosidade: os contra-regras também representam ao mudar o cenário, são chamados de ele e ela, um bolinando o outro na penumbra entre atos. É uma peça dentro da peça. Como disse, a tragicomédia começa pelo fim, que não vou revelar, para não irritar o possível espectador ou leitor, mas posso revelar o fim, que é o início romântico da amizade/amor entre Xico e Tuca. Não um amor homossexual, mas, nas palavras do próprio autor, um homotermurismo: ternura entre pessoas do mesmo sexo, palavra que ele espera entrar um dia para o dicionário do Aurélio.Tudo ao som do Besame mucho.
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quinta-feira, 7 de abril de 2011
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
DEUS DA CARNIFICINA

Deus da carnificina
de Yasmina Reza
com
Júlia Lemmertz
Deborah Evelyn
Paulo Betti e Orã Figuereido
Direção : Emilio de Mello.
- APRESENTAÇÃO
O mundo teatral comemorou quando Yasmina Reza, uma argelina radicada na França, explodiu nos anos 90 com a peça “Arte”, sucesso em diversos países, in-clusive no Brasil. Desde então, ela não parou mais: escreveu uma série de peças, comédias e romances, todos muito bem sucedi- dos, tornando-se uma celebridade no universo intelectual francês e europeu. Um dos seus últimos textos teatrais apresentado no Brasil, interpretado por Paulo Goulart e Nicette Bruno, foi o “O Homem Inesperado”, indicado ao Prêmio Eletrobrás de Teatro nas categorias de melhor atriz e melhor direção. E chega agora ao Brasil “O Deus da Carnificina”, último texto de Yamina Reza e o maior sucesso da atual temporada teatral européia e americana. Destaque em todos os países onde foi apresentada e recebendo diversos prêmios, “O Deus da Carnificina” iniciou sua carreira em Zurich com direção de Jürgen Gosch. Sua primeira montagem em língua inglesa foi realizada em Londres (março de 2008) com tradução de Christopher Hampton e recebeu o prêmio Laurence O l i v i e r , na categoria “Best New Comedy”. Na Broodway, na temporada de 2009, recebeu os Prêmios “Tony Awards” (o mais importante do teatro do americano) de “Melhor Peça”, “Melhor Direção” e “Melhor Atriz”. Numa época em que o mundo clama por invenções teatrais, “O Deus da Carnificina” mantém o sopro de renovação que a autora Yasmina Reza imprimiu a
dramaturgia européia. Utilizando com maestria a verve humorística, suas peças não só são uma garantia de comunicação entre o palco e platéia, como um intercâmbio de idéias e experiências teatrais. “O Deus da Carnificina” é uma dessas peças que traz essa respiração contemporânea ao teatro e cuja montagem aqui irá enriquecer a cena brasileira.
SINOPSE
Dois casais adultos e civilizados, se encontram para resolver um incidente protagonizado por seus filhos pequenos: um deles quebrou 2 dentes do outro em uma briga na praça. Nada que os pais não possam resolver.
Mas, as vezes ...
O que será que pode acontecer nesse encontro ?
O DEUS DA CARNIFICINA recebeu o Prêmio Tony 2009 nas categorias de melhor obra teatral, melhor direção e melhor atriz, tendo no elenco Jeff Daniels, James Gandolfini, Hope Davis e Marcia Gay Harden.
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